"Me dê um abraço, venha me apertar tô chegando" Milton Nascimento
Quando fui pela primeira vez para a Suíça, estava com o olhos cheios de medo, o coração cheio felicidade e nos bolsos quase nada de dinheiro, alguns dólares e travel check eu chegava na cara e na coragem.
Ao passar pelo controle de passaporte, e ter que responder as mesmas perguntas chatas que eles sempre fazem para imigrantes ou turistas vindos de países do terceiro mundo, vi que minha bagagem não estava mais na esteira.
Bateu um certo desespero, tudo parecia dar errado, mas meu santo foi mais forte e minha bagagem estava em outro departamento pois eu demorei muito tempo para retirá-la da esteira.
No saguão do aeroporto lá estava Ramon, meu irmão mais velho, com os olhos cheios de ansiedade, o coração cheio de saudade e nos braços abertos um longo e gostoso abraço que faria o inverno suíço parecer um final de tarde na praia.
Das muitas experiências que tive, trabalhar como Dj foi uma das mais curiosas.
Por trabalhar na rádio passei a conhecer muitas músicas, artistas diferentes, ritmos estranhos vindos dos quatro cantos do mundo, e quando surgiu a oportunidade de tocar em boates e ainda ganhar uma grana assim logo pensei: "vai ser moleza! com o cmputador da rádio então..."
Para meu desespero não foi tão moleza assim. Todas as noites quando eu tocava recebia muito elogio, mas também o que tinha de gente me olhando de cara feia.
As boates não tinham um estilo definido, eu já toquei para suíço dançar É o tchan e AC/DC. Cada grupinho queria algo diferente e era impossível agradar a todos.
Certa noite comecei a tocar às 22 e sabia que tão cedo terminaria, era um sábado, dia de maior movimento.
Tudo ia muito bem até que por volta das 23:30 um grupo com uns 6 homens entrou na boate. Todos pediram suas bebidas, e enquanto 5 dançavam um ficava parado me olhando.
Logo pensei: "como ele deve ter aproximadamente 40 anos, não deve estar gostando da música, vou tocar algo dos anos 80 e tô salvo".
Mais um engano, após o momento anos 80 a expressão dele era a mesma e assim continuou quando toquei anos 60, 70, ritmos latinos, reggae, rock e tudo mais que podia achar no computador.
Comecei a ficar preocupado, pois ás 5 da manhão fecharia a boate e eu teria que sair.
5 da manhã. Desligo o computador as luzes são acesas e todos vão saindo aos poucos. O barulho ainda é grande e mal consigo escutar as palavras. ms percebia que aquele cara continuava me olhando.
Com a mochila nas costas, os olhos e o coração cheios de medo decidi que sairia e fosse o que Deus quiser. Quando saí da cabine ele se aproximou e perguntou num tom rude:
Ele: Where are coming from?
Eu quase tremendo: I´m from Brazil
Ele: sabias que tu não eras daqui, da-me um abraço, sou português.
Nes momento tive um mix de raiva e alívio, e após o abraço descobri que todos os outros eram portugueses e desde então passaram a frequentar a boate pois já no final sempre tocava músicas portuguesas em homenagem aos novos amigos.
Numa dessas minhas viagens para a Suíça, a volta foi baste complicada. Deixar meu irmão numa das piores fases dele lá era doloroso. De manhã cedo fui levá-lo à estação de trem. É impressionante a precisão do horário. Perguntei para ele:
Eu: Que horas é o seu?
Ramon: 7:17
Eu: Que horas são?
Ramon: 7 em ponto
Eu: Vai atrasar.
Ramon: Você que pensa, nunca atrasa.
Eu: Que horas são?
Ramon: Olha o trem chegando aí.
Nossos olhos eram apenas lágrimas, era tudo saudade, mais um abraço e eu não queria deixá-lo partir, mas ele se foi.
Voltei para o Brasil no dia seguinte e quando cheguei muitos abraços me esperavam no aeroporto. Lembrei de um documentário, onde um nordestino voltava para sua terra natal e ao voltar e encontrar toda a família na rodoviária diz: "A vida é muito curta pra gente viver longe de quem a gente ama."
Depois de uma temporada no Rio em 2005, em fevereiro de 2006 me mudei definitivamente para São Paulo.
O choque foi inevitável. Não nas mesmas proporções de Caetano mas era difícil. O abraço sempre aconchegante de Carol tornava tudo mais ameno. As músicas da Zecacurydamm, hoje Formidavel Família Musical também.
Quando Cury esteve aqui em São Paulo divulgando o disco da banda, infelizmente não nos encontramos. Na correria da cidade, "a Avenida Paulista e sua pressa em ganhar dinheiro" como o próprio Cury escreveu em seu blog não me deixou abraçar o amigo.
É assim todos os dias mas ontem tive uma grata surpresa. Ao sair do trabalho fui andando até o ponto de ônibus. No caminho um grupo de jovens, homens e mulheres seguravam cartazes. Pensei que era mais alguma manifestação pelo aumento da tarifa de ônibus ou pelo aumento dos salários dos deputados e senadores.
Ao me aproximar pude ler alguns dos cartazes: "Abraços grátis", e todos que os seguravam abordavam as pessoas e diziam: "quer um abraço? é de graça, não custa nada."
Era impressionante o número de pessoas que recusavam. Passei por uns três sem ser abordado, próximo a faixa para atravessar a rua fui abordado por um desses jovens que me perguntou: "e aí? quer um abraço? é de graça!".
Abri os braços e após alguns segundos, ele me disse: "tudo de bom velho".
Em tempo: para saber mais da Formidavel Família Musical basta acessar www.formidavelfamiliamusical.com.br , e para ler uma boa crônica sobre São Paulo, acesse o blog de Cury através do link ao lado e procure pelo texto "Pobre São Paulo Pobre Paulista. Ira!" de Abril de 2006.
Ao passar pelo controle de passaporte, e ter que responder as mesmas perguntas chatas que eles sempre fazem para imigrantes ou turistas vindos de países do terceiro mundo, vi que minha bagagem não estava mais na esteira.
Bateu um certo desespero, tudo parecia dar errado, mas meu santo foi mais forte e minha bagagem estava em outro departamento pois eu demorei muito tempo para retirá-la da esteira.
No saguão do aeroporto lá estava Ramon, meu irmão mais velho, com os olhos cheios de ansiedade, o coração cheio de saudade e nos braços abertos um longo e gostoso abraço que faria o inverno suíço parecer um final de tarde na praia.
Das muitas experiências que tive, trabalhar como Dj foi uma das mais curiosas.
Por trabalhar na rádio passei a conhecer muitas músicas, artistas diferentes, ritmos estranhos vindos dos quatro cantos do mundo, e quando surgiu a oportunidade de tocar em boates e ainda ganhar uma grana assim logo pensei: "vai ser moleza! com o cmputador da rádio então..."
Para meu desespero não foi tão moleza assim. Todas as noites quando eu tocava recebia muito elogio, mas também o que tinha de gente me olhando de cara feia.
As boates não tinham um estilo definido, eu já toquei para suíço dançar É o tchan e AC/DC. Cada grupinho queria algo diferente e era impossível agradar a todos.
Certa noite comecei a tocar às 22 e sabia que tão cedo terminaria, era um sábado, dia de maior movimento.
Tudo ia muito bem até que por volta das 23:30 um grupo com uns 6 homens entrou na boate. Todos pediram suas bebidas, e enquanto 5 dançavam um ficava parado me olhando.
Logo pensei: "como ele deve ter aproximadamente 40 anos, não deve estar gostando da música, vou tocar algo dos anos 80 e tô salvo".
Mais um engano, após o momento anos 80 a expressão dele era a mesma e assim continuou quando toquei anos 60, 70, ritmos latinos, reggae, rock e tudo mais que podia achar no computador.
Comecei a ficar preocupado, pois ás 5 da manhão fecharia a boate e eu teria que sair.
5 da manhã. Desligo o computador as luzes são acesas e todos vão saindo aos poucos. O barulho ainda é grande e mal consigo escutar as palavras. ms percebia que aquele cara continuava me olhando.
Com a mochila nas costas, os olhos e o coração cheios de medo decidi que sairia e fosse o que Deus quiser. Quando saí da cabine ele se aproximou e perguntou num tom rude:
Ele: Where are coming from?
Eu quase tremendo: I´m from Brazil
Ele: sabias que tu não eras daqui, da-me um abraço, sou português.
Nes momento tive um mix de raiva e alívio, e após o abraço descobri que todos os outros eram portugueses e desde então passaram a frequentar a boate pois já no final sempre tocava músicas portuguesas em homenagem aos novos amigos.
Numa dessas minhas viagens para a Suíça, a volta foi baste complicada. Deixar meu irmão numa das piores fases dele lá era doloroso. De manhã cedo fui levá-lo à estação de trem. É impressionante a precisão do horário. Perguntei para ele:
Eu: Que horas é o seu?
Ramon: 7:17
Eu: Que horas são?
Ramon: 7 em ponto
Eu: Vai atrasar.
Ramon: Você que pensa, nunca atrasa.
Eu: Que horas são?
Ramon: Olha o trem chegando aí.
Nossos olhos eram apenas lágrimas, era tudo saudade, mais um abraço e eu não queria deixá-lo partir, mas ele se foi.
Voltei para o Brasil no dia seguinte e quando cheguei muitos abraços me esperavam no aeroporto. Lembrei de um documentário, onde um nordestino voltava para sua terra natal e ao voltar e encontrar toda a família na rodoviária diz: "A vida é muito curta pra gente viver longe de quem a gente ama."
Depois de uma temporada no Rio em 2005, em fevereiro de 2006 me mudei definitivamente para São Paulo.
O choque foi inevitável. Não nas mesmas proporções de Caetano mas era difícil. O abraço sempre aconchegante de Carol tornava tudo mais ameno. As músicas da Zecacurydamm, hoje Formidavel Família Musical também.
Quando Cury esteve aqui em São Paulo divulgando o disco da banda, infelizmente não nos encontramos. Na correria da cidade, "a Avenida Paulista e sua pressa em ganhar dinheiro" como o próprio Cury escreveu em seu blog não me deixou abraçar o amigo.
É assim todos os dias mas ontem tive uma grata surpresa. Ao sair do trabalho fui andando até o ponto de ônibus. No caminho um grupo de jovens, homens e mulheres seguravam cartazes. Pensei que era mais alguma manifestação pelo aumento da tarifa de ônibus ou pelo aumento dos salários dos deputados e senadores.
Ao me aproximar pude ler alguns dos cartazes: "Abraços grátis", e todos que os seguravam abordavam as pessoas e diziam: "quer um abraço? é de graça, não custa nada."
Era impressionante o número de pessoas que recusavam. Passei por uns três sem ser abordado, próximo a faixa para atravessar a rua fui abordado por um desses jovens que me perguntou: "e aí? quer um abraço? é de graça!".
Abri os braços e após alguns segundos, ele me disse: "tudo de bom velho".
Em tempo: para saber mais da Formidavel Família Musical basta acessar www.formidavelfamiliamusical.com.br , e para ler uma boa crônica sobre São Paulo, acesse o blog de Cury através do link ao lado e procure pelo texto "Pobre São Paulo Pobre Paulista. Ira!" de Abril de 2006.

2 Comments:
Amore!
Estou aqui te esperando de braços abertos como sempre! Mesmo q eu não vá ao aeroporto dessa vez, saiba q estou anciosa como todas as outras vezes!Venha dia 22 mesmo pra gente comemorar meu dia! E se não der, o dia q vc quiser a gente comemora, pois qdo a gente tá junto é sempre uma festa!Saudades do seu sorriso de moleque, dos seus abraços e do seu colinho!
Beijos da sua maninha emprestada q tanto te ama!
Lua
Bala Papito, sexta vai rolar abraçao gratis.
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